em Filósofo

Hoje eu estava levando minha esposa para um compromisso. Parei no semáforo e veio um homem de, imagino, uns 20 e tantos anos, alto, forte, sem deficiência alguma (sim, tudo isso é importante para o relato) me pedir dinheiro. Como meu carro não tem ar condicionado, eu tenho que andar com as janelas abertas e tenho que falar não pra pessoa.

Do lado do meu carro parou outro carro, um Passat desses mais novos. Como esse carro tem ar condicionado e vidros filmados, o motorista nem precisou responder nada para o homem que veio pedir dinheiro. Nem abaixou o vidro e o cara passou.

Quando o cara passou ele abaixou o vidro e disse pra mim: “Dá até raiva, não dá? Um homem forte desse pedindo dinheiro no sinal!”. Eu, claro, não concordei e o motorista do Passat continuou: “Mas podia arranjar um emprego, não podia?”. Respondi: “Podia, mas como você sabe que ele não tá tentando? Como você sabe que ele tá nessa de pedir dinheiro no semáforo por pura vagabundagem? Ele pode estar procurando emprego e ainda não conseguiu. A crise tá ficando feia, muita gente perdendo emprego e não conseguindo emprego de novo. Você sabe se ele tem família para sustentar?”.

Claro que o motorista não sabia. Dá até raiva, não dá?